Monte Palatium, a mais famosa colina da Europa



Vá por mim.
Comece Roma pelo monte Palatino.
Sim, é vero: seria preciso uma vida inteira para conhecer Roma. Mesmo assim, alguns locais ficariam de fora. Afinal, a cidade é eterna. Mas é preciso começar por algum lugar. Então, comece por onde a própria cidade começou: monte
Palatium.

Palatium deu origem à palavra “palácio”. Acredite. Mas não é só por isso. Levantando-se entre o Fórum Romano e o Circo Massimo, ela é a mais famosa colina da Europa. Talvez do mundo. Do mundo antigo, pelo menos. Rivaliza com a Acrópole, em Atenas, outro monte histórico. Naquela época era assim. Na atualidade, pequenas montanhas nem entram no mapa. Para um mundo sem nuanças, tamanho é documento.

Então. Coberta com altos pinheiros e pontilhada com ruínas majestosas (sim, ruínas podem ser majestosas!), além do passeio agradável e da importância histórica somos premiados com vistas incríveis da cidade. Isso, hoje; porque ela já foi mais
imponente. Por ser a mais central das sete colmas onde estava assentada a antiga Roma, se tornou o bairro chique da cidade, aquela dos romanos dos livros de história. Lembra?
Ou você perdeu essa aula?

Caio Júlio César (aquele do “até tu, Brutus, meu filho”), o último cônsul da República romana, foi assassinado em 49 a. C. Otávio, seu sobrinho-neto, venceu Marco António, que dividia o consulado com César e depois com Otávio, na disputa pelo cobiçado poder e se tornou Augusto, o primeiro imperador romano.

Iniciava-se uma nova era no Mediterrâneo. Seu primeiro ato: reduziu de trezentos para sessenta o número de senadores (senador vem do latim senex, que significa sênior, ou, mais precisamente, velho). Segundo ato: construiu sua mansão no Palatino, onde morou a vida toda. Por ter sido erguida no monte Palatino, a suntuosa residência do imperador se tornou conhecida como palácio.

A maioria dos que o sucederam construíram seus palácios no local (origem das atuais ruínas), o que lhe dá tamanha importância histórica. E o nome se espalhou pelo mundo.
Em Paris, temos o Palácio de Versalhes.
Em Londres, o Palácio de Buckingham.
Em Brasília, temos o Palácio do Jaburu.

Subindo o Palatino pela entrada na Via di San Gregorio chegamos às ruínas do complexo de palácios mandado construir pelo imperador Domiciano, isso lá no século I d.C.: Domus Flavia (palácio imperial), Domus Augustana (residência do
imperador) e o stadio serviram aos poderosos governantes de Roma por três séculos. Além de possuir seu próprio estádio, Domiciano podia assistir, da sua varanda, às corridas de biga no Circo Máximo, no vale ao pé do Palatino.

A Domus Augustana tinha dois andares, os quartos voltados para um pátio interno, onde posso ver a bacia de uma fonte e o piso de mármore colorido de certos cómodos. Há alguns anos foi descoberta, abaixo da construção, uma caverna abobadada coberta de mosaicos. Seria a Lupercale? Arqueólogos dizem que sim. Eu acredito. Eu acredito em tudo, como vocês já sabem.
Até me provarem o contrário.
Como seguidamente acontece.

Ah, a Lupercale. Trata-se da caverna onde Rômulo e Remo foram amamentados por uma loba. Eles eram filhos de uma sacerdotisa virgem que cultuava a deusa Vesta, e de Marte, o deus da guerra. Gosto dessas histórias de virgens terem filhos de um todo-poderoso. São muito convincentes. Como não acreditar?

Os bebés foram condenados à morte por Amúlio. Ele disputava com o rei Numitor, avô dos meninos, o controle de Alba Longa – como chamavam aquelas terras, hoje no centro da Itália. Como sempre, a ambição dos humanos não tem limites. Bem, para não serem executados, os garotinhos foram jogados no rio Tibre. Dava quase no mesmo; eles não sabiam nadar. Mas isso tanto faz.




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